El Papa advierte del peligro de caer en la pereza espiritual e invita a superarlo

Vaticano, 28 fev. 21 / 03:15 pm (ACI).- A preguiça espiritual é o grande perigo que os cristãos enfrentam em sua vida de fé? O Papa Francisco, durante a oração do Ângelus no Vaticano neste domingo, 28 de fevereiro, alertou contra o risco de que uma vida de piedade representada como uma forma de escapar das dificuldades da vida resulte na preguiça espiritual.

Para evitar este risco, o Papa recordou que os cristãos “somos chamados a experimentar o encontro com Cristo para que, iluminados pela sua luz, possamos levá-la e fazê-la brilhar em todos os lugares. Acender pequenas luzes nos corações das pessoas; ser pequenas lâmpadas do Evangelho que levam um pouco de amor e esperança: esta é a missão do cristão”.

O Santo Padre fez esta reflexão a partir da leitura do dia, do Evangelho segundo São Marcos, que narra a transfiguração de Jesus no monte diante de Pedro, Tiago e João.

Pouco antes desse milagre “Jesus tinha anunciado que, em Jerusalém, iria sofrer muito, seria rejeitado e condenado à morte”.

«Podemos imaginar o que deve ter acontecido então no coração de seus amigos, daqueles amigos íntimos, os seus discípulos: a imagem de um Messias forte e triunfante é colocada em crise, seus sonhos são partidos e a angústia aumenta ao pensar que o Mestre em que acreditaram seria morto como o pior dos malfeitores. Naquele momento, com aquela angústia da alma, Jesus chama Pedro, Tiago e João e os leva consigo para a montanha”.

O Papa explicou o simbolismo especial que a montanha tem na Bíblia. “A montanha sempre tem um significado especial: é o lugar elevado, onde o céu e a terra se tocam, onde Moisés e os profetas tiveram a experiência extraordinária de encontrar Deus”.

“Jesus”, continuou o Pontífice, “sobe para o alto junto com os três discípulos e eles se detêm no topo da montanha. Aqui, Ele se transfigura diante deles. O seu rosto radiante e as suas vestes resplandecentes, que antecipam a imagem como Ressuscitado, oferecem àqueles homens assustados a luz, a luz da esperança, a luz para atravessar as trevas: a morte não será o fim de tudo, porque se abrirá para a glória da Ressurreição”.

Do mesmo modo, destacou as palavras de Pedro dirigidas a Jesus no momento da Transfiguração: «É bom ficarmos aqui». “É bom ficarmos com o Senhor no monte, viver esta ‘antecipação’ da luz no coração da Quaresma. É um convite para nos lembrar, especialmente quando passamos por uma prova difícil, e muitos de vocês sabem o que significa atravessar uma prova difícil, recordar que o Senhor Ressuscitou e não permite que as trevas tenham a última palavra”.

Assinalou que «às vezes acontece que passamos por momentos de escuridão na nossa vida pessoal, familiar ou social, e tememos que não haja uma saída».

“Sentimo-nos assustados diante de grandes enigmas como a doença, a dor inocente ou o mistério da morte. No mesmo caminho de fé, muitas vezes tropeçamos quando encontramos o escândalo da cruz e as exigências do Evangelho, que nos pede para dedicar a vida ao serviço e perdê-la no amor, em vez de preservá-la para nós mesmos e defendê-la”.

Nesta situação “precisamos de outro olhar, uma luz que ilumine em profundidade o mistério da vida e nos ajude a ir além dos nossos esquemas e além dos critérios deste mundo. Também nós somos chamados a subir a montanha, a contemplar a beleza do Ressuscitado que acende vislumbres de luz em cada fragmento da nossa vida e nos ajuda a interpretar a história a partir da vitória pascal”.

“Mas tenhamos cuidado”, advertiu o Papa: “esse sentimento de que é bom para nós ficarmos aqui’ não deve se tornar uma preguiça espiritual. Não podemos permanecer na montanha e desfrutar sozinhos a beatitude deste encontro. O próprio Jesus nos leva de volta ao vale, entre os nossos irmãos e irmãs e na vida quotidiana”.

Pelo contrário, “devemos ter cuidado com a preguiça espiritual: nós estamos bem, com as nossas orações e liturgias, e isto é suficiente para nós. Não! Subir a montanha não é esquecer a realidade. Rezar nunca é fugir das fadigas da vida. A luz da fé não é para uma bela emoção espiritual”.

 

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